A BENÇÃO DO CANO CONGELADO

Antes que você me pergunte, já vou esclarecendo, isso é uma confissão! Mas, já que você está curioso para saber o final de tudo, te aconselho a não ir para o final deste artigo sem mergulhar no sentido mais profundo dessa minha experiência pessoal. Assim, você não só conhecerá o que pretendo transmitir, como também, e com certeza absoluta, se identificará com algo que lhe ajudará a pensar duas vezes antes de receber o que, na verdade não é para você.

Grande parte dos meus seguidores no Facebook sabe que vivemos nos Estados Unidos da América, mais especificamente na Nova Inglaterra, no estado de Massachusetts. Uma região muito interessante e com características próprias. Há quem diga que aqui é onde se vive as quatro estações do ano, Primavera, Verão, Outono e INVERNO. Fiz questão de colocar o INVERNO em letras maiúsculas porque esta minha confissão tem tudo a ver com esse período.

Neste inverno, temos experimentado temperaturas abaixo dos 20 graus negativos, ou seja, 20 graus abaixo de ZERO (0). E, quem vive aqui sabe das muitas dificuldades e problemas que enfrentamos nesse período que chega a durar de 4 a 6 meses de frio, embora a estação propriamente dita seja de 3 meses.

Um dos problemas mais comuns durante esses períodos de baixa temperatura é o congelamento de canos de água. Vivendo aqui há mais de 18 anos, já me tornei um especialista em descongelamento de canos pelas muitas vezes que tive que resolver esse tipo de problema.

Este ano foi diferente. Digo, esse problema se tornou em uma benção. Por isso o título do artigo, “A Benção do Cano Congelado”.

Tudo estava maravilhosamente bem em nossa casa num final de semana de inverno. Uma tempestade de neve com ventos e temperaturas congelantes fez com que as pessoas ficassem em casa curtindo um dia a mais de descanso em plena quinta-feira, pelo menos para mim isso foi o que ocorreu.

No dia seguinte, depois de gastar um bom tempo limpando o estacionamento de casa com neve acumulada acima de 40 centímetros de altura, restava curtir o sábado que também estava bem frio. O resultado foi ir pra cama mais cedo e planejar para ir ao culto logo de manhã no domingo.

Mas, o meu domingo começou bem interessante. O que eu realmente não esperava era ouvir minha querida esposa dar a boa nova logo ao acordar: –  “não temos água nas torneiras…”. Pronto, Os canos estavam congelados.

Mudança de planos. Eu precisava descongelar os canos porque afinal, precisaríamos tomar banho, usar banheiro, etc. Prioridade número “um”, descongelar. Moleza para mim que já acostumado com isso de outras vezes. Eu sabia exatamente o que fazer, onde atacar o problema, que ferramentas usar, e em questão de uma ou duas horas, tudo estaria resolvido. Mandei minha esposa pro culto, minha mãe também foi para o encontro da igreja em sua congregação e eu, o especialista em descongelamento, parti pro trabalho.

O tempo foi passando e nada de descongelar. Coloquei madeira pra queimar num fogão de aquecimento que temos no primeiro piso, que chamados de basement (em português porão). É nessa parte da casa onde está a tubulação de água fria e quente. E, por razões óbvias, é onde ocorrem esses congelamentos. Usei secador de cabelos, abri parte do teto onde estavam os principais canos, liguei um aquecedor elétrico, e nada resolvia. A ansiedade começou a tomar conta de mim. Eu estava fazendo tudo o que sabia e nada. Desde as 8 horas da manhã eu estava me dedicando a essa “simples” tarefa de descongelar uns caninhos bem conhecidos.

Quatro horas depois, minha esposa volta da congregação e ficou surpresa com o fato de eu ainda estar trabalhando nisso sem ter resolvido nada. Frustração? Bota frustração nisso! E não parou por aí! Chega minha mãe e, como é normal, com mil e uma sugestões. E, como também é próprio dela, trouxe mais um secador de cabelos e ficou do meu lado contando algumas histórias de casos curiosamente iguais. Uma dessas hitórias era sobre uma velha que saiu para fora da casa onde morava. Era um dia friorento e por não ter chave da casa consigo a solução foi tentar entrar na casa pela janela. porém, ela era bem gordinha e Ao tentar passar pela janela ficou presa, nem entrava nem saia, resultado, morreu congelada. Muito animador!

Minutos depois eu a ouvi orando e pedindo a Jesus que ajudasse a descongelar os canos. Então eu disse pra mim mesmo, “eu não sei mais o que fazer. Já fiz tudo o que sabia, tudo o que era possível, e nada! Quer saber, vou subir pro meu quarto e vou dormir”. Minha esposa olha pra mim e diz: – “Ore!”. Minutos depois eu a vejo orando também. Comecei a ficar nervoso, preocupado e impaciente! Os canos estavam congelados e eu, fervendo por dentro! Acreditem, meia-noite eu estava descongelando neve numa panela pra deixar água para minha esposa e minha mãe usarem nos banheiros caso precisassem, e iriam precisar com certeza. Ridículo, mas o especialista em descongelamento de canos estava lá, descongelando neve. E confesso, em nenhum momento pensei em orar!

O sono me pegou de vez, subi pra dormir, sem tomar banho obviamente e chateado por ter falhado, infeliz por não saber o que fazer. Dia seguinte teria que sair cedo pro trabalho e deixar minha casa sem água. Que frustração!

Dia seguinte, 5:45 da manhã me levanto, vou nas torneiras na esperança de que houvesse algo sobrenatural acontecendo e, pra meu desespero… nada!

Decidi então enviar meus funcionários pro trabalho enquanto eu ficaria tentando novamente resolver o problema, disposto a gastar o dia todo novamente. E, como especialista que sou, fui logo fazendo o que sempre fiz… de repente, resolvi insistir num lugar onde no dia anterior já havia tentando várias vezes sem sucesso. Acreditem ou não, 30 segundos… isso mesmo, 30 segundos e ouvi um estalo bem conhecido por mim… e um barulho de água fluindo pelas torneiras… Uma satisfação de trabalho realizado? Uma conquista pessoal? Um resultado de minha experiência? Foi exatamente o que pensei até subir radiante pra anunciar meu grande feito à minha esposa que acabava de acordar. – “Consegui!”  disse eu na maior euforia. Ela, simplesmente perguntou, “Como?”  e eu comecei a dizer os meus feitos, fiz isso, aquilo, aquiloutro, etc. Ela então me disse: “Foi a oração”.

Pensa num balão de ar murchando? Lá se foi a minha glória! Não havia nada que eu pudesse ter feito além do que havia feito em mais de 16 horas de trabalho para resolver o problema em 30 segundos. E isso depois de um intevalo de mais de 6 horas sem nenhuma interferencia minha. Simplesmente eu me senti um “zé ninguém” diante da situação. Tanto trabalho e preocupação e uma oração, nem feita por mim, resolve o problema em 30 segundos.

Resultado, liguei pra um dos meus funcionários pra dizer, “RESOLVI o problema do congelamento – GRAÇAS A DEUS – temos água em casa”. E eu estava sendo sincero!  Passei o dia todo orando e confessando minha falta de visão das pequenas coisas.

Eu havia me esquecido de que Deus é Deus das pequenas coisas. De que o homem faz planos, mas a resposta certa vem dos lábios do Senhor. Que o arqueiro lança a flecha, mas o Senhor dirige o destino. Que não cai uma só folha da árvore sem que Deus permita. Que Deus conhece o profundo e o escondido. Que até os cabelos de nossa cabeça estão contados. Que o conselho santo é, quer comais ou bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei para glória de Deus. Esqueci de dar graças a Deus por tudo. Esqueci de que, se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam. De que, se o Senhor não guardar a cidade em vão vigia a sentinela. Esqueci, esqueci, esqueci…  e esqueci que sou apenas um instrumento nas mãos do meu Senhor.

Esse “cano congelado” se tornou uma benção para mim. Mas, mesmo que eu seja especialista em alguma coisa, isso não me dá o direito de receber a glória que a Deus pertence, mesmo quando ele usa nossa especialidade para fazer o que Ele quer.

Três grandes lições aprendi com isso: Primeiro, que tudo o que vier à mão para fazer, devo fazer de todo coração. Segundo, que o resultado, seja ele qual for, devo entregar a glória ao Senhor por que Dele, por meio Dele e para Ele são todas as coisas e terceira, que a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos, mesmo nas pequenas e mais insignificates coisas. Graças a Deus por minha esposa e minha mãe, elas não entendem nada de canos congelados, mas sabem como descongelar um coração através da oração. Em tudo, Deus seja louvado!

Roberto Carlos Fernandes – Em processo de descongelamento!

 

 

 

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