linguagem do inferno

“Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências, desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação” I Pedro 2:1,2

Este texto fala sobre o crescimento para a salvação, fala sobre o crescimento espiritual. E o apóstolo Pedro, usando uma figura, diz que quando nascemos de novo, somos semelhantes a uma criança recém nascida. E assim como essa criança precisa de alimento para se desenvolver, ele diz que nós também precisamos de crescimento. Só que, diferente da criança que precisa apenas do acréscimo do alimento, ele está aqui dizendo que nós não apenas precisamos desejar o alimento, mas também que algumas coisas na nossa vida precisam ser tiradas, alguns impedimentos que precisam ser removidos para que então busquemos o leite e cresçamos.

E Deus tem me guiado de uma maneira muito clara a reconhecer nestes dias que há um grande impedimento para o nosso crescimento. Há um grande impedimento para o crescimento da igreja de uma forma coletiva, que nos impede de provar mais a graça de Deus e esse impedimento precisa ser arrancado da nossa vida; ele precisa ser deixado de lado, ele precisa ser abandonado.

Embora o apóstolo Pedro fale sobre vários impedimentos, o tempo e a nossa necessidade nos leva tratar de um só deles: a maledicência. A palavra maledicência significa dizer mal ou falar mal. Como crentes em Jesus, somos advertidos a abandonar esta prática:

“Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar”. Colossenses 3:8

“Lembra-lhes que se sujeitem aos que governam, às autoridades; sejam obedientes, estejam prontos para toda boa obra, não difamem a ninguém; nem sejam altercadores, mas cordatos, dando provas de toda cortesia, para com todos os homens.” Tito 3:1-2

Os crentes daquela época não eram diferentes de nós; sabiam muito bem o que é esse problema, de você emitir opinião, fazer julgamentos, interpretar à sua maneira, ou levar à frente algo que alguém já te trouxe… Isto era um problema que eles também tinham, que eles também enfrentavam, e que a Bíblia nos exorta a tomar um posicionamento firme quanto a ele.

Eu quero falar sobre algumas coisas ligadas à maledicência e tentar te ajudar a ver com mais clareza o quanto Deus leva a sério este assunto.

UMA QUESTÃO DE CARÁTER

Em primeiro lugar, quero afirmar para você que do ponto de vista de Deus, deixar a maledicência é uma questão de caráter. Em I Timóteo 3:11, há uma lista ali onde o apóstolo Paulo cita alguns critérios que os líderes devem ter em suas vidas. Ele começa falando dos presbíteros e suas esposas, depois ele fala dos diáconos e das suas esposas. E entre estas muitas características, ali em I Timóteo 3:11, diz o seguinte: “da mesma sorte, as mulheres sejam sérias, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo”. Ele diz que elas não devem ser maldizentes. Ele estabelece isto como um traço de caráter, um requisito de Deus para que alguém seja estabelecido em uma posição de liderança.

Muitas vezes, o nosso posicionamento é de separar o que é um “pecadão” e o que é um “pecadinho”; e acabamos tolerando algumas coisas que não deveriam ser toleradas. E não estou falando só sobre falar mal de pessoas; muitas vezes falamos mal de uma circunstância, falamos mal de um momento, alguns chegam a falar mal de si mesmo.

Deus me levou a um texto que mostra que esta questão de não ter na nossa vida a maledicência é algo que Deus olha como um traço de caráter que Ele não negocia. Veja o caso de José. Nós não temos muitas porções bíblicas sobre a pessoa de José, que se casou com Maria, e que foi o pai de Jesus, mas nós sabemos que Deus precisava escolher uma pessoa descente, honrada, que pudesse ser um exemplo e um espelho para o Senhor Jesus na sua criação. Se fosse alguém com o caráter deturpado, se fosse alguém cheio de desvios de comportamento, ele não seria um bom espelho para o Senhor Jesus (E mesmo ele não sendo o pai biológico, ele seria o espelho dentro de casa).

A Bíblia não fala muito sobre a pessoa dele, de suas virtudes, mas praticamente uma das únicas que é mencionada, foi uma das coisas que Deus usou mais fortemente para impactar meu coração nesse assunto.

“Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente. Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles”. – Mateus 1:18-21

Quero que você pare e pense um pouco comigo. A Bíblia diz que quando José ouve a notícia de que Maria está grávida, eles eram noivos. A palavra desposado significa comprometido antes do casamento. Um estava comprometido ao outro; ele estava aguardando o casamento e como um homem de Deus, ele espera o casamento antes de se envolver com sua mulher. Mas, de repente, ele ouve a notícia: Maria está grávida! Sabe que não foi ele e, nunca se ouviu falar nem antes, nem depois, de alguém ter concebido do Espírito Santo… Então tente imaginar José cogitando, qual a probabilidade do que possa ter acontecido. Na mente dele era uma coisa só que se passava: Maria o tinha traído, o tinha rejeitado, tinha quebrado a aliança antes mesmo dela ser definitivamente estabelecida. É lógico que isto não aconteceu de fato, mas até que José recebesse um esclarecimento de Deus, foi o que pensou.

Se ele abrisse a boca dizendo que ela estava grávida, pela lei de Moisés ela poderia até ser apedrejada. José poderia ceder ao espírito vingativo, ao rancor, ao ciúme. Ele podia no mínimo ter defendido seu lado, mas a Bíblia diz que José era homem justo, e porque ele era justo, não queria difama-la, então ele intenta deixa-la secretamente. Em sua mente ele estava dizendo: acabou. Só que preferia sair de fininho, para não complicar a vida dela. Ela ainda estava pensando isso, quando o anjo do Senhor apareceu a ele explicando o que estava de fato acontecendo.

Agora responda com sinceridade: você acha que José tinha motivos para falar de Maria ou não? Na mente dele antes que ele soubesse o que aconteceu, era esta a interpretação. Ele poderia ter se achado no direito de falar. A maioria de nós não perderia uma chance dessas para acabar com a outra pessoa! Ele poderia no mínimo ter buscado o direito de se explicar, mas a Bíblia diz que havia nele um traço de caráter, que ao meu entender foi uma das coisas que levou Deus a escolhe-lo para exercer o papel que exerceu.

Imagino Deus vasculhando a
terra atrás de um homem descente para ser exemplo ao seu Filho… e me pergunto: o que levou Deus a colocar seus olhos em José e dizer: “é de alguém assim que Eu preciso, alguém que tinha a oportunidade e a possibilidade de destruir a vida de alguém, mas decide fechar os seus lábios, e diz simplesmente que se recusa a difamar”.

Difamar (ou infamar) significa espalhar má fama, falar mal. Então, quando a Palavra de Deus está tocando em um assunto como este, eu acredito que nós precisamos considerar e dizer: “isso é uma coisa mais séria do que a gente normalmente acha que é”. O pecado da maledicência tem ferido muito a Igreja do Senhor, uma vez que Deus se move muito na unanimidade. O Novo Testamento mostra que quando havia unanimidade o Espírito Santo vinha com tudo, mas quando a maledicência, a fofoca, o mexerico e o diz-que-me-diz começam a correr solto no nosso meio, não há como se manter a unidade. E quando a unidade vai embora, vai-se com ela a grande possibilidade de estarmos debaixo de uma grande visitação de Deus.

Se nós queremos ver Deus agir, nós vamos precisar que Deus trabalhe esse traço de caráter na nossa vida. O Senhor Jesus também foi muito enfático no sermão do monte:

“Bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam”. – Lucas 6:28

Bendizer significa falar bem. Esta foi a ordem do Senhor: fale bem dos que te maldizem, dos que falam mal de você. E ore pelos que te caluniam, pelos que estão inventando histórias sobre você. O Senhor Jesus nos advertiu a não jogar o mesmo jogo!

“Ah! mas fulano também está falando”, diriam muitos. Mas Jesus está dizendo para você não jogar o mesmo jogo! Se alguém falou mal de você, fale bem dele! “Ah! mas ele está me caluniando”… Então ore por ele!

A grande verdade é que quando Deus diz para não falar mal dos outros, Ele não está pensando nos outros, Ele está pensando em você. Porque falar mal de quem quer que seja, prejudica a você e não necessariamente a outra pessoa. Praticar a maledicência é acionar uma lei espiritual que vai te colocar em desvantagem, que vai te trazer prejuízo. Então, quando Ele diz, “não fale mal”, Ele não está tentando proteger a outra pessoa de quem você falaria, Ele está tentando proteger você. Esta é uma ordem e é um mandamento do Senhor Jesus, e Ele espera que nós sigamos aquilo que Ele mandou.

QUEM ESTÁ POR TRÁS

Talvez o grande problema da maledicência é quem está por trás dela. Nós falamos em primeiro lugar sobre traço de caráter, e agora eu quero mostrar o que está por trás dela. Quando o apóstolo Paulo estava dando instrução sobre quais viúvas deveriam ser socorridas, faz uma afirmação sobre o comportamento de algumas que ele não aprovava:

“Além do mais, aprendem também a viver ociosas, andando de casa em casa; e não somente ociosas, mas ainda tagarelas e intrigantes, falando o que não devem. Quero, portanto, que as viúvas mais novas se casem, criem filhos, sejam boas donas de casa e não dêem ao adversário ocasião favorável de maledicência. Pois, com efeito, já algumas se desviaram, seguindo a Satanás”. – I Timóteo 5:13-15

Ele diz: Timóteo, tome cuidado com as que estão nesta posição, porque elas vão se tornar ociosas, andando de casa em casa, falando o que não convém… E a expressão que ele usa é “algumas já se desviaram, seguindo após Satanás”. A Bíblia está dizendo que quem instiga maledicência é Satanás e os seus demônios, ele é quem está por trás disto! Quando a Bíblia diz que elas se tornam intrigantes, está chamando elas de promotoras de intrigas. Trata-se de gente que está gerando contenda, confusão no meio do povo de Deus. E Paulo é muito taxativo e diz: “elas estão seguindo a Satanás”!

Você não pode dar outro nome a isso. E ainda tem gente que diz: “Ah, pastor, foi só uma falhazinha, afinal de contas eu também sou humano”. Pois é querido, os humanos são a preferência de Satanás, para disseminar a semente e o mal dele, ele escolhe pessoas como você e eu, porque ele sabe que muitas vezes nós somos susceptíveis à instigação dele…

“Ora, a língua é fogo; é mundo de iniqüidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno”. – Tiago 3:6

A Bíblia diz que nossa língua é posta em chamas pelo inferno, ou seja, pelos poderes das trevas! Quando falamos mal uns dos outros, estamos dando lugar ao Diabo. Não há meio termo nem outra explicação para isto. Esta é umas das razões pelas quais mais devemos correr deste pecado. Mas além disto, ainda há as conseqüências…

ALGUMAS CONSEQÜÊNCIAS

Em certa ocasião, o apóstolo Paulo comentou que algumas pessoas o estavam acusando de ter falado algumas coisas que ele não tinha de fato falado, e afirma:

“E por que não dizemos, como alguns, caluniosamente, afirmam que o fazemos: Pratiquemos males para que venham bens? A condenação destes é justa”. – Romanos 3:8

Ele estava dizendo: “Eu nunca falei isso, eles colocaram estas palavras na minha boca, e porque eles estão me difamando, dizendo que eu disse algo (mesmo não tendo dito), a condenação deles é justa”. O texto fala de condenação, e isto não pode ser visto como coisa boa!

E quantos de nós já não fizemos isso?

Muitas vezes ouço crentes dizendo: “fulano falou isto”! E pergunto: “você ouviu dele”? Normalmente a resposta é: “Não! Mas ouvi de uma fonte segura”… Então acrescento: “sim, que também ouviu de outra fonte segura, que ouviu de outra fonte segura, e sabe-se lá quantas fontes seguras tem no meio disto tudo”!

Provavelmente você já tenha brincado de telefone sem fio, e sabe que cada conto aumenta um ponto. Sabe, é assim que nós vamos promovendo o mal. E eu acredito que a maioria de nós, os crentes, não falamos mal só pelo gosto de falar mal. Não inventamos o que estamos falando de mal; normalmente são interpretações e equívocos, mas só o fato de estarmos espalhando, se não estamos falando o que devia, pode nos colocar sob condenação!

Além disto, a maledicência nos rouba bênçãos de Deus. O Salmo 140:11 diz que o maldizente não se estabelecerá na Terra. Essa era uma das maiores promessas de Deus desde o início: “você vai se estabelecer na terra que o Senhor Deus te dá, você vai prosperar, você vai ter isso e aquilo”, mas o texto diz que os maldizentes não terão esta bênção.

E o pior é que isto é como uma bola de neve, quanto mais rola, mais cresce!

“Evita, igualmente, os falatórios inúteis e profanos, pois os que deles usam passarão a impiedade ainda maior. Além disso, a linguagem deles corrói como câncer; entre os quais se incluem Himeneu e Fileto”. – II Timóteo 2:16-17

A Bíblia diz que os que estão nisto passarão a uma impiedade ainda maior. Não há como interromper esse processo depois que você começa. A Bíblia diz que isso corrói, cresce como câncer, são células mortas, cancerígenas, crescendo no corpo e estragando aquilo que Deus projetou para funcionar de forma adequada.

A Escritura nos mostra que as conseqüências são sérias, que se trata de um pecado grave. Quando o apóstolo Paulo fala de alguns pecados que impedem as pessoas de herdar o reino de Deus, inclui os maldizentes na lista:

“Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus”. – I Coríntios 6:9-10

Jesus também afirmou que do coração do homem procede muitos dos pecados e incluiu a blasfêmia na lista:

“Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem”. – Marcos 7:21-23

Blasfemar significa falar mal, infamar. Jesus colocou a blasfêmia junto com a prostituição, o homicídio e o furto. Mas em nossa mente tentamos desassociar tais pecados e nos convencer que não é assim tão sério. Não podemos negar. A Palavra de Deus nos mostra que a maledicência causa um estrago muito grande no meio da igreja de Cristo, é por isso que nós precisamos abandona-la, é por isso que nós precisamos deixa-la de lado, se queremos experimentar o que Deus prometeu e o que Ele disse que faria, nós temos que deixar de lado o que impede o nosso crescimento e impede o crescimento dos outros.

“O homem perverso espalha contendas, e o difamador separa os maiores amigos”. – Provérbios 16:28

Criamos tantos problemas com a nossa língua! Se a domássemos, a maior parte deles acabaria:

“Sem lenha, o fogo se apaga; e, não havendo maldizente, cessa a contenda”. – Provérbios 26:20

Uma das conseqüências mais graves em nossa vida é que a maledicência abre espaço para que o diabo tenha autoridade de ferir nossas vidas. A maledicência é uma brecha, uma legalidade para Satanás nos ferir. Falando de Israel no deserto e que essas coisas nos servem de exemplo, Deus diz:

“Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e pereceram pelo destruidor”. – I Coríntios 10:10

Tem muito crente sendo ferido pelo diabo. Não porque a proteção de Deus não seja eficaz, mas porque abre brechas com sua própria língua bifurcada. Se você não tem conseguido deter os ataques do diabo contra sua vida, sugiro reexaminar seu comportamento nesta área, pois a probabilidade de falharmos nela é grande!

PRIVADOS DA PRESENÇA DIVINA

Quando tratava comigo nesta área, o Senhor falou ao meu coração que a maledicência, além de fazer de nós um canal de Satanás, ainda nos rouba a presença de Deus.

“Quem, SENHOR, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte? O que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade; o que não difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu vizinho”. – Salmo 15:1-3

Este texto não só nos revela que para estar na presença do Senhor precisamos vencer este pecado, como também traz um pouco mais de luz sobre este tipo de erro. O texto fala de dois tipos de pecado da maledicência: ativo e passivo. O que difama com a língua é o ativo, e o passivo é o que ouve. Porque quando você ouve o maldizente (mesmo se você não fala nada) também está pecando por cumplicidade (Lv.19:16,17). Logo, quando emprestamos o ouvido a um maldizente estamos participando do mesmo pecado. E isto nos priva da presença de Deus.

Se você observar Efésios 4:29 que fala sobre não entristecer o Espírito Santo, vai perceber que o versículo anterior e o posterior retratam pecados cometidos com a língua. Logo, se queremos uma vida cheia do Espírito, é preciso corrigir isto. Portanto, evite a maledicência. Você faz isso de duas formas: evitando a maledicência e também evitando o maldizente

EVITANDO FALATÓRIOS E FALADORES

“E tu, ó Timóteo, guarda o que te foi confiado, evitando os falatórios inúteis e profanos e as contradições do saber, como falsamente lhe chamam, pois alguns, professando-o, se desviaram da fé”. – I Timóteo 6:20

Assim como o justo não se assenta na roda dos escarnecedores, precisamos também cuidar para que não nos enredemos por este pecado. Mas eu não só evito pecar com minha boca, como também evito pecar cedendo meus ouvidos à maledicência. As Sagradas Escrituras nos ensinam a evitar os maldizentes:

“Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais”. – I Coríntios 5:11

Desta forma, venceremos e continuaremos a crescer no Senhor.

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Começo aqui com um desabafo produzido por uma tristeza enorme. Gostaria muito que isso servisse de alerta para aqueles cuja mente e coração ainda nutrem o desejo de ver o Reino de Deus avançando sobre a terra.

Recentemente eu fui convidado para ouvir um missionário que exerce seu ministério na India há mais de vinte anos.  Sua experiência conta com trabalhos na Africa por muitos anos também.

Confesso a vocês que fui com muita expectativa de ouvir o que Deus vem realizando através desse irmão. Gostaria de não dizer seu nome, nem onde ele trabalha e nem mesmo onde participei desse encontro. Obviamente alguns vão identificar de quem estarei falando. Mas meu foco não é ele.

Durante sua palestra que durou aproximadamente duas horas, o número de casos e experiências compartilhado com os presentes era o suficiente para provocar uma revolução na congregação. Testemunhos fortes, arrebatadores e desafiadores. Tudo recheiado com imagens e cenas de videos que aumentavam nosso conhecimento do que ocorre numa das regiões mais pobres da India.

Entretanto, na medida em que ele ministrava e nos fazia lembrar das palavras de Jesus e dos apóstolos, meu coração começou a se entristecer. Fui sendo tomado por um sentimento de falha, de fracasso e vergonha. Como eu estou tão longe de ser uma opção para este mundo. Como eu não tenho a paixão que movia Jesus e os primeiros discípulos.

Me ví então me perguntando: Sei eu como pregar o evangelho? Por anos, e vergonhosamente digo isso, a minha pregação tem sido elitizada. Tenho escolhido a quem pregar e, confesso pra vergonha minha, não tenho tido sucesso. Alias, hoje em dia é mais fácil fazer proselitismo, ou seja, convencer outros “cristãos” a se aderirem à nossa visão do que ir atrás dos “perdidos” que estão nas ruas e nos becos. Pregar usando as lacunas das falhas doutrinárias dos outros é mais fácil do que pregar para um “eunuco” das estradas da vida.

E assim, meu coração ficou arrebentado ao ver quão simples é a pregação desse irmão e quão grande é o resultado do seu ministério. Diferentemente de muitos de nós que, antes que alguém se converta, primeiro tem que ser catequisado, adequado, convencido, transformado, discipulado, e por fim, batizado. Parece que entre o CRER e o ser  BATIZADO existe um loooonnngo caminho a percorrer. As palavras de Jesus seguem um processo simples: “Ide e fazei discípulos, BATIZANDO… Então, ENSINANDO A GUARDAR”. Mas na prática temos visto o oposto, coisa assim: “IDE, fazei discípulos ENSINANDO A GUARDAR AS COISAS QUE EU TENHO ORDENADO, então, se eles forem aprovados, BATIZEM”.

Ah, em alguns casos, se forem BATIZADOS,  e se por qualquer razão não se adequarem à doutrina, DESCONSIDEREM O BATÍSMO.

Mas voltando ao testemunho do missionário, a tristeza cresceu ainda mais ao ver que depois de um testemunho ou outro, que em outros ambientes arrancariam fortes ALELUIAS,  a congregação estava apática, calada, e sem reação alguma. A ponto de o apresentador pedir que os presentes dessem um Aleluia e aplaudissem a Jesus, mesmo assim, alguns nem se moveram.

Por fim, depois da apresentação, aquele irmão fez um apelo… E não foi para levantar recursos financeiros, mas sim para que se levantassem aqueles que desejariam se envolver na obra missionária, atendendo ao chamado do Senhor.

Incrível foi ver que, num auditório com mais de 80% de jovens,  apenas 3 se levantaram.

Não julgo aqui a motivação dos que não se levantaram, mas pergunto:  Que tipo de evangelho temos pregado? Que tipo de obreiros esse evengelho tem produzido? Nossos jovens estão sendo preparados para estudar, trabalhar, casar, ter filhos… Pra quê? Nossos cultos estão cheios de pregações que fortalecem, enriquecem, amadurecem, etc… Mas prá quê? Nossas congregações estão mais parecedidas com academias de ginástica onde os frequentadores ganham energia, beleza escultural, disciplina corporal, conhecimento e tecnicas de emagrecimento e saúde. Tudo voltado para o indivíduo e seu desenvolvimento.

Mas deixe-me dizer uma coisa: Recebemos poder do Espírito Santo para atender ao IDE de Jesus. Não para FICAR e fazer discípulos.

Esta semana, pra completar minha tristeza, fui procurado por uma senhora, mãe de um jovem na idade de 16 anos que pedia ajuda para seu filho. Alguns jovens para fazer amizade com ele e tentar ajudá-lo com alguns problemas pessoais.

Procurei um líder que me recomendou a outro que me sugeriu alguns, cujos pais me disseram que seus filhos não podiam porque estavam estudando, ou trabalhando ou que não tinham maturidade. Um dos líderes me disse  não ter tempo e morar longe – 35 minutos.

Me lembrei de meu tempo de infância. Ouvi o evangelho com 10 anos de idade e com 11 anos já estava pregando, indo às praças públicas, cadeias e sanatórios. Éramos um grupo de meninos que orava, jejuava, fazia vigílias e todos, sem excessão, são pastores hoje.

O que estamos fazendo com nossos jovens? Nosso evangelho está elitizado.  Há algo errado no meio do arraial…

Como disse no início, é apenas um desabafo, mas é um desabafo que bate de frente comigo mesmo.

Que venha sobre nós o temor da profecia do Senhor a Ezequiel:

““Filho do homem, eu fiz de você uma sentinela para a nação de Israel; por isso, ouça a minha palavra e advirta-os em meu nome. Quando eu disser ao ímpio que é certo que ele morrerá e você não falar para dissuadi-lo de seus caminhos, aquele ímpio morrerá por sua iniquidade, mas eu considerarei você responsável pela morte dele. Entretanto, se você de fato advertir o ímpio para que se desvie dos seus caminhos e ele não se desviar, ele morrerá por sua iniquidade, e você estará livre da sua responsabilidade.”
‭‭Ezequiel‬ ‭33:7-9‬ ‭NVI‬‬
http://bible.com/129/ezk.33.7-9.nvi

 

 

simples

Convidado para ouvir um famoso pregador evangélico internacional falar sobre “Ser Semelhantes a Jesus”, fui tomado de profunda tristeza ao perceber quão “diferente” era aquele pregador da pessoa simples objeto central de sua pregação. As diferenças eram tão gritantes quanto a diferença que existe entre o sol e a lua. A começar pela linguagem. Seu discurso era tão acadêmico e intelectual, a ponto de muitos “mestres” presentes pedirem para que ele desse o sginificado de algumas palavras. A eloquência era visivelmente teatral e as declarações eram subjetivas, vazias e desprovidas de simplicidade. As crianças que antes estiveram presentes durante o louvor, agora eram retiradas afim de, ou não atrapalharem o ambiente ou participarem de classes onde pudessem entender no nível de suas idades. No final da primeira ministração houve um apelo emocional para que os presentes fossem à frente afim de se comprometerem a ser como Jesus.

Penso que Jesus saiu do ambiente no momento em que as crianças foram para outro ambiente. Quer ser semelhante a Jesus? Torne-se como uma criança… simples! A simplicidade da fé não está na força dos argumentos, mas no exemplo em se fazer o que Jesus fez. E, uma coisa que ele sempre fez, foi nunca fazer a sua própria vontade. Quer ser igual a Jesus? Faça o que ele fez, nunca faça sua própria vontade!

 

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lobo e ovelha

Recentemente, quando voltava prá casa vindo de meu trabalho, resolvi ligar o rádio do carro no exato momento em que um conhecido pregador evangélico iniciava a sua série de respostas às perguntas feitas pelos ouvintes. Gosto muito de perguntas, e muito mais de respostas. Eu já tinha ouvido esse pregador outras vezes e nutria uma certa reserva sobre alguns temas que considero muito sério. Dessa feita, além de discordar, me bateu uma tristeza profunda por saber que dezenas, talvez centenas de pessoas, ouvem certos conselhos gratuítos que poderá custar-lhes a vida eterna.

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o caos no universo

Antes de entrar nesse tema específico, é preciso contextualizá-lo na história da humanidade. É preciso situar o homem em sua trajetória no mundo. Quando digo “homem” me refiro à humanidade, o gênero humano, homem e mulher, a natureza humana. Temos que voltar às bases da criação, ou mesmo antes dela. Se não fizermos isso, não teremos o link, ou seja, a conecção entre o passado e o futuro. Tudo é muito simples se for visto com olhares simples também.

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Introdução

Sou do tempo em que, quem não era católico era protestante. Logo em seguida, os protestantes passaram a ser denominados “crentes”. Hoje,  maioria dos “crentes” gostam de ser chamados de evangélicos. Como diz um pastor amigo meu, “nós nascemos depois da confusão”, fazendo referência às múltiplas facções, divisões, partidos, separações, brigas e competição entre os “religiosos”. E tudo em nome de Deus.

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Fim Dos Tempos

O MAIS IMPORTANTE SINAL DO FIM DOS TEMPOS

“E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações.. Então virá o fim. PALAVRAS DE JESUS”. –MT. 24:14
Que a Graça, a Paz e a Esperança em Jesus, estejam com você neste momento.

À alguns anos atrás, eu tive a oportunidade de conviver com uma pessoa muito especial. Ivan Baker era seu nome. Esse amado irmão foi estar com o Senhor mas deixou um rastro de amor, como canta outro amigo nosso chamado Asaph Borba.

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BEM QUE ELE AVISOU…

Vez por outra me vem à memória o tempo com Ivan Baker. Poucos sabem, mas muitas vezes estivemos sozinhos conversando e essas conversas eram permeadas de advertências. Parecia que ele já tinha estado por aqui, no futuro! Hoje, olhando pra trás e ouvindo suas palavras não posso deixar de admitir, ele estava certo!
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